O Princípio da Volatilidade - Exposição Coletiva

Texto escrito por Juliana Monachesi - sobre a exposição coletiva O Princípio da Volatilidade do Grupo Transitório: Adélia Klinke, Ana Lucia Sefair Mitre, Célia Macedo, Eder Roolt, Jeff Chies, Marcia Gadioli, Maria Luiza Lobo Editore, Rafaela Jemmene, Regina Sarreta e Rita Balduino.



Transitório existe há um ano e meio como um grupo de pesquisa e discussão sobre arte contemporânea. A longo desse período, os artistas aqui reunidos acompanharam de perto as pesquisas e inquietações um do outro, o que torna a convivência entre seus trabalhos tão coerente. São obras de natureza diversa e suportes ou temas muitas vezes contrastantes, mas nasceram todas de um debate profundo sobre as características e a ideologia do espaço expositivo. O que muda no significado de uma obra quando ela é apresentada em diferentes contextos? Em um ambiente doméstico, por exemplo? Ou em uma exposição coletiva caótica que não identifica a autoria dos trabalhos? Qual obra escolher a cada situação? Sobre qual obra recai a decisão quando o contexto é uma mostra dupla, em que sua produção é posta para dialogar com a do artista com cuja poética você mais se identifica? Que artista você escolheria para esse dueto? Todos estes foram exercícios de reflexão que o grupo fez junto e, apesar de O Princípio da Volatilidade ser a sua primeira exposição coletiva, muitas outras - ficcionais e altamente experimentais - já fazem parte da história do Transitório. Quando a galeria Smith convidou o grupo para realizar uma exposição, foi um desdobramento lógico da dinâmica transitória pensar em reinventar o espaço expositivo. E, porque cada artista do grupo tem sua pesquisa muito particular, uma conversa agitada e produtiva na Casa Contemporânea - que abriga nosso coletivo - levou à ideia de embrulhar a galeria, como forma de unificar o conjunto e de tensionar a condição definitiva associada ao "trabalho acabado" para a galeria ou o museu. Com a ação de embrulhar a Smith, o grupo Transitório sinaliza que suas investigações estão constantemente em processo, que a exposição - qualquer exposição - é uma instância passageira da vida de um trabalho de arte. Isso não significa que os trabalhos não estejam acabados. Estão. E são todas obras maduras de artistas bastante consistentes. Mas uma obra finalizada, para um grupo de artistas que prioriza a pesquisa e as trocas (conceituais e afetivas) em seu processo de criação, é apenas a potência inicial de tudo o que está por vir.